Petróleo: Preços Sustentados no Curto Prazo, mas Acordos de Paz Podem Gerar Queda, Aponta Citi

O mercado global de petróleo opera sob uma tensa dualidade. Enquanto os preços se mantêm firmes no presente, impulsionados por uma série de fatores geopolíticos e sanções, a perspectiva para o segundo semestre deste ano sinaliza uma potencial reversão. Analistas do Citi indicam que o esforço do presidente dos EUA, Donald Trump, para costurar acordos de paz envolvendo a Rússia e o Irã, embora inicialmente um catalisador para a pressão nos preços, poderia, paradoxalmente, levar a uma desvalorização significativa do barril caso se concretizem.

Pressões Geopolíticas Elevam Cotações Atuais

Nos últimos meses, o petróleo Brent testemunhou uma valorização notável, saltando de patamares próximos a US$ 60 para quase US$ 70 por barril. Esse aumento é atribuído, em grande parte, à aplicação mais rigorosa das sanções impostas pelos Estados Unidos sobre o petróleo da Rússia e do Irã. Tais medidas restritivas, somadas a outras interrupções pontuais na cadeia de fornecimento global, têm estreitado a oferta disponível, exercendo uma pressão altista consistente sobre as cotações.

A União Europeia, por sua vez, tem intensificado suas ações, propondo recentemente a expansão das sanções contra a Rússia. Pela primeira vez, o bloco estuda incluir portos em países terceiros, como Geórgia e Indonésia, que são pontos de transbordo para o petróleo russo. Essa iniciativa, se implementada, representaria um endurecimento inédito das restrições, afetando ainda mais a logística e o escoamento da produção russa.

A Influência de Acordos de Paz na Trajetória dos Preços

O Citi destaca que uma das principais vias pelas quais os Estados Unidos podem influenciar a dinâmica dos preços do petróleo é através de negociações diplomáticas. A concretização de acordos de paz entre a Rússia e a Ucrânia, juntamente com uma redução das tensões com o Irã, seria um divisor de águas. Tais resoluções teriam o potencial de aliviar as preocupações com a oferta e, consequentemente, impulsionar uma queda tanto nos preços do petróleo bruto quanto dos derivados, como diesel e gasolina.

A hipótese-base do banco aponta para a materialização de acordos com o Irã e um desfecho para o conflito Rússia-Ucrânia até o verão. Se confirmada, essa conjuntura levaria os preços do Brent a um patamar de US$ 60-62 por barril, acompanhada de uma redução nos *cracks* (margens de refino) do diesel e da gasolina na ordem de US$ 5 a US$ 10. Essa previsão sublinha a crença de que a estabilização geopolítica pode superar as atuais pressões de oferta e demanda, alterando significativamente a paisagem do mercado de energia.

Estratégias da OPEP+ e o Papel da China no Cenário Global

Em um cenário onde as interrupções no fornecimento russo persistam, mantendo o Brent na faixa de US$ 65-70 por barril nos próximos meses, o Citi antecipa uma resposta proativa da OPEP+. O grupo, que detém capacidade ociosa considerável, estaria inclinado a retomar o aumento da produção de petróleo a partir de abril. Esta medida visa não apenas estabilizar o mercado, mas também se preparar para o pico da demanda no verão, período em que os preços podem ser ainda mais inflacionados por tensões geopolíticas, como as relações entre EUA e Irã.

Paralelamente, a China emerge como um ator crucial na dinâmica atual. O país asiático tem aproveitado a oportunidade para adquirir petróleo russo e iraniano com descontos significativos em relação aos *benchmarks* globais. Essas compras, destinadas tanto ao consumo imediato quanto à formação de estoques estratégicos, são vistas como uma tendência que deve se estender até 2026, desde que as sanções contra a Rússia e o Irã permaneçam em vigor, garantindo o diferencial de preço.

Em resumo, enquanto o mercado de petróleo reflete a intensidade das tensões geopolíticas atuais, resultando em preços elevados e voláteis, a análise do Citi sugere que o horizonte próximo pode trazer um alívio. A concretização de acordos de paz, especialmente entre potências globais e regionais, emerge como o principal fator capaz de reverter a trajetória ascendente dos preços, projetando um cenário de desvalorização para os próximos meses.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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