A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa, CSMG3) está adentrando a fase operacional de seu processo de privatização, um movimento que já repercute positivamente no mercado financeiro. Com a expectativa de conclusão entre abril e maio, importantes instituições financeiras revisam suas perspectivas, sinalizando um novo capítulo para a estatal mineira e para o setor de saneamento no Brasil.
Mudança de Paradigma: Do Risco Político à Execução Estratégica
Tradicionalmente, a tese de investimento em empresas estatais é fortemente atrelada ao risco político. No entanto, com a consolidação dos marcos legais e das definições de governança para a privatização da Copasa, essa dinâmica está se transformando. Analistas apontam que o foco da atratividade da companhia se desloca para a eficiência operacional e a estratégica alocação de capital, características intrínsecas a uma gestão privada. Essa transição promete desbloquear um valor significativo, que até então estava ofuscado pelas incertezas inerentes ao controle estatal.
Otimismo do Mercado Refletido em Elevação de Recomendações
O mercado já demonstra entusiasmo com essa nova fase. O Bank of America (BofA) atualizou sua recomendação para as ações da Copasa de 'neutra' para 'compra', elevando substancialmente o preço-alvo para o final de 2026, de R$ 32 para R$ 70. Essa revisão otimista reflete a crença de que o mercado ainda não precifica adequadamente a magnitude da transformação estrutural em curso na empresa. Paralelamente, o JPMorgan também promoveu uma dupla elevação, passando de 'underweight' (equivalente à venda) para 'overweight' (equivalente à compra), corroborando o cenário positivo. A valorização das ações da Copasa, que superou 100% nos últimos 12 meses e registrou alta de 2,83% na tarde de segunda-feira (2), sendo negociada a R$ 53,86, é um indicativo claro da confiança dos investidores.
Potencial de Valorização e Vantagens Competitivas
A análise do BofA sugere que a Copasa possui um perfil pós-privatização com maior potencial de valorização em comparação com outras empresas do setor que passaram por processos similares, como a Sabesp. Essa perspectiva é embasada em vantagens competitivas específicas, que incluem um custo médio ponderado de capital (WACC) mais elevado, um prazo de concessão consideravelmente mais longo e uma maior margem para a convergência de despesas operacionais. Adicionalmente, a empresa mineira se beneficia de menos restrições contratuais e de governança, o que a posiciona favoravelmente para ganhos de eficiência e um sólido upside regulatório.
Próximos Passos para a Concretização da Privatização
Para a efetivação da privatização, a Copasa ainda precisa cumprir algumas etapas procedurais cruciais. A mais significativa delas é a celebração do novo contrato de concessão com o município de Belo Horizonte, que não só estenderá o prazo de operação até 2072, mas também servirá como modelo para outros acordos municipais. Adicionalmente, será necessário aprovar um novo estatuto social em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), nomear assessores financeiros para conduzir o processo e, por fim, realizar o lançamento formal da oferta de privatização. Apesar desses trâmites, o BofA avalia que o risco de atrasos políticos é baixo, dada a aprovação prévia dos marcos legislativos essenciais para o andamento do projeto.
Conclusão: Um Horizonte Promissor para a Copasa
A Copasa se encontra em um momento decisivo, com sua privatização ganhando contornos operacionais e atraindo um otimismo crescente do mercado. A transição de um cenário de risco político para um foco em gestão eficiente e alocação estratégica de capital, somada às suas vantagens competitivas e ao respaldo dos analistas, aponta para um horizonte de significativo potencial de valorização e crescimento para a companhia. Os próximos meses serão fundamentais para a concretização dessas etapas finais, consolidando um novo ciclo para a empresa no mercado de saneamento brasileiro.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

