Racha Político em Santa Catarina: Bloco de Centro se Articula para Isolar o PL

O cenário político de Santa Catarina se reconfigura com a aproximação das eleições, marcado por uma crescente insatisfação de partidos de centro em relação à gestão do governador Jorginho Mello e à influência de Carlos Bolsonaro, que almeja uma vaga no Senado. Essa conjuntura tem impulsionado siglas como MDB, PSD, União Brasil e PP a consolidarem um movimento para isolar o Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, na disputa estadual.

A mais recente reviravolta ocorreu com o anúncio de saída do MDB da base governista. A decisão é um reflexo direto de um acordo quebrado e da preterição do partido na indicação do vice-governador, um posto que havia sido prometido publicamente pelo próprio Jorginho Mello.

O Estopim da Crise: A Escolha do Vice e o Rompimento do MDB

A segunda-feira marcou a oficialização da saída do MDB da base aliada do governo catarinense. A desfiliação veio após o governador Jorginho Mello surpreender o cenário político ao anunciar o prefeito de Joinville, Adriano Silva, do partido Novo, como seu candidato a vice. Essa escolha contrariou um compromisso assumido por Mello em outubro do ano passado, quando declarou publicamente que a vaga seria destinada ao MDB, afirmando que a questão já estava “tudo encaminhado”.

O presidente do diretório catarinense do MDB, Carlos Chiodini, que era o nome mais cotado para compor a chapa, deixou o cargo de secretário estadual de Agricultura imediatamente após a notícia. O partido também orientou seus filiados a entregarem outros cargos que ocupavam no governo, sinalizando uma ruptura completa. Chiodini enfatizou que, diante da opção do governador, o MDB buscará um “projeto próprio”, sem descartar a união com outras forças políticas.

Um Novo Bloco de Centro em Formação

Em resposta à movimentação do PL, MDB, PSD, União Brasil e PP iniciaram uma articulação intensa para formar uma aliança forte. Líderes locais das quatro siglas se reuniram, anteontem, para debater o panorama eleitoral e as possibilidades de um projeto alternativo. O objetivo central dessa coalizão é alavancar a pré-candidatura do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), ao governo catarinense.

A força dessa união reside em sua significativa capilaridade: juntas, essas quatro legendas controlam 174 das 295 prefeituras de Santa Catarina, conferindo-lhes uma base eleitoral robusta. Eron Giordani, líder estadual do PSD, confirmou que as “portas estão abertas” para o acordo e criticou a decisão de Jorginho, afirmando que ela traz “mais prejuízos do que benefícios” para o governador.

A Disputa pelo Senado e as Consequências da Aliança

A formação desse novo bloco também se entrelaça com a disputa por uma das cadeiras no Senado. A federação União-PP, que também expressou descontentamento com Jorginho Mello por um recuo na promessa de apoiar a reeleição do senador Esperidião Amin (PP), demonstra total disposição em apoiar o projeto do PSD. O deputado federal Fabio Schiochet (União-SC) foi categórico: “Se ele [Jorginho] não mantiver esse compromisso com o senador Esperidião, nós iremos caminhar com o PSD, isso é fato”.

Schiochet avalia que uma candidatura do PSD, como a de João Rodrigues, teria maior capacidade de aglutinar apoios em um eventual segundo turno, inclusive de setores de esquerda, em comparação a um candidato do PL. Essa estratégia visa fortalecer a frente anti-PL e, ao mesmo tempo, abre caminho para a candidatura da deputada federal Carol de Toni (PL) ao Senado na chapa de Jorginho, disputando a segunda vaga ao lado de Carlos Bolsonaro. Anteriormente, Carol chegou a ser sondada para filiação ao Novo, antes da definição da vaga de vice.

Entenda as Motivações e o Cenário Pós-Ruptura

A reviravolta na escolha do vice-governador por Jorginho Mello não foi um ato isolado. Interlocutores próximos ao governo revelam que, ao longo do último ano, a aproximação com o MDB enfrentava resistência interna dentro do próprio PL. Paralelamente, o desempenho eleitoral do prefeito Adriano Silva em Joinville, onde foi reeleito em 2020 no primeiro turno com 78% dos votos, tornou-o um nome atrativo para a chapa.

Em fevereiro de 2024, a insatisfação de setores bolsonaristas com a possível inclusão do MDB já era palpável. A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), por exemplo, questionou publicamente se o “critério” para a escolha do vice seria a suposta inclinação do MDB em “votar mais com o governo Lula”, evidenciando a tensão ideológica que permeava as negociações. Esse histórico de atritos e a quebra de acordos consolidam um cenário de profunda fragmentação e realinhamento político no estado.

Com a formação deste robusto bloco de centro e a saída do MDB da base governista, o panorama eleitoral de Santa Catarina ganha contornos mais definidos e uma polarização acentuada. As articulações em curso não apenas redefinem as forças políticas para as próximas eleições, mas também sinalizam uma intensa batalha pela representatividade no estado, com impactos diretos tanto na disputa pelo governo quanto pelas cadeiras no Senado Federal.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima