O Rio de Janeiro, com sua beleza icônica e atmosfera vibrante, consolidou-se mais uma vez como um dos destinos mais cobiçados do verão. Desde dezembro, a cidade fervilha com a presença de turistas, evidenciada pelos bares e restaurantes em plena efervescência, o intenso movimento em apartamentos de temporada e a multidão que preenche a orla de Copacabana. A diversidade de sotaques ecoando pelas ruas e praias até altas horas confirma o cenário de alta ocupação. Este fluxo crescente, contudo, embora impulsione significativamente a economia local, também ilumina os desafios inerentes à gestão de um destino tão popular, motivando autoridades, especialistas e a própria população a buscar soluções para acolher os visitantes sem comprometer o bem-estar dos moradores.
Um Cenário de Crescimento Sem Precedentes
Os dados recentes são categóricos ao atestar o expressivo aumento na afluência de turistas, com uma notável ascensão do público estrangeiro. Um estudo conjunto das secretarias municipais de Turismo e de Desenvolvimento Econômico projeta que a Cidade Maravilhosa receba 5,7 milhões de visitantes, entre nacionais e internacionais, ao longo deste verão. Esse volume representa um incremento de 14% em comparação ao mesmo período do ano anterior, solidificando a vocação turística do Rio e injetando vitalidade em diversos setores da economia. A movimentação no Aeroporto Internacional do Galeão acompanha essa tendência, com a concessionária prevendo um recorde de 17,8 milhões de passageiros para 2025. Inclusive, outros atrativos também registraram alta: o Museu do Amanhã, por exemplo, recebeu 214 mil visitantes no verão de 2024/2025, superando os 203 mil do período anterior.
Os Desafios da Popularidade e a Busca por Ordenamento
Apesar dos números impressionantes, especialistas e autoridades convergem ao afirmar que o Rio de Janeiro ainda não enfrenta o fenômeno do “hiperturismo” ou “overtourism”, que aflige cidades como Barcelona e Roma. Contudo, os períodos de pico de visitação expõem vulnerabilidades e geram incômodos perceptíveis nos bairros mais procurados. Questões como a superlotação de calçadas por pedestres, bicicletas e mesas de bares, além da presença de camelôs ilegais, se tornam parte do cotidiano. Horácio Magalhães, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, critica a deficiente sinalização turística e a fiscalização ineficaz de ambulantes, destacando também a precariedade dos pontos de informação da Riotur, alguns com funcionamento irregular ou fechados.
Para moradores, como Morgana Freitas, que sugere a extensão do horário da área de lazer da orla, e Ana Luiza Folly, de Ipanema, que aponta o excesso de bicicletas nas calçadas e a falta de espaço devido aos bares, as cenas de efervescência turística revelam a urgência por maior ordenamento e educação. O pesquisador Osiris Marques, do Observatório do Turismo da UFF, complementa que a percepção de praias lotadas no verão nem sempre se deve exclusivamente ao turismo, mas também ao aumento da população local e metropolitana em busca de refresco diante das altas temperaturas.
Propostas para um Turismo Mais Equilibrado e Sustentável
Diante do cenário de crescimento, diversas propostas emergem para garantir um desenvolvimento turístico mais equilibrado, que contemple tanto o visitante quanto o morador. A visão central é promover uma gestão que previna os impactos negativos, ao mesmo tempo em que maximize os benefícios econômicos e culturais.
Descentralização e Expansão de Rotas
Marcelo Freixo, presidente da Embratur, enfatiza que o turismo não é um problema para o Brasil, sendo responsável por 8% do PIB e com vasto potencial de crescimento. Para o Rio, ele defende a descentralização do fluxo turístico. A ideia não é diminuir a relevância da Zona Sul, mas expandir as oportunidades para outras regiões da cidade e, crucialmente, para o interior do estado. Esta estratégia visa distribuir melhor os visitantes e estimular que permaneçam por mais tempo, gerando um impacto econômico mais abrangente em todo o território fluminense.
Inovação, Ordenamento Urbano e Mobilidade
Felipe Felix, professor de Turismo do Cefet, aponta para a necessidade de soluções tecnológicas. Ele sugere a criação de um aplicativo que informe, em tempo real, o volume de visitantes em uma atração, permitindo ao turista planejar seu roteiro de forma mais eficiente. Outra iniciativa, inspirada em Dubrovnik, Croácia, seria a implementação de um sistema de monitoramento do fluxo de visitantes, fornecendo dados ao poder público para identificar áreas de maior pressão turística e agir proativamente. No campo da mobilidade, a proposta inclui a criação de esquemas especiais de metrô e trens para fins de semana e feriados, visando acomodar o grande fluxo de pessoas. Complementarmente, o ordenamento urbano deve ser aprimorado, com fiscalização mais efetiva contra ambulantes ilegais, a reinstauração e ampliação dos pontos de informação turística da Riotur em locais estratégicos e a promoção de campanhas de educação para moradores e visitantes, assegurando uma convivência harmônica e o uso consciente dos espaços públicos.
Conclusão
O Rio de Janeiro vive um momento de glória no turismo, com números que reafirmam sua posição como um dos destinos mais desejados do planeta. No entanto, o sucesso traz consigo a responsabilidade de gerenciar o crescimento de forma inteligente e sustentável. As propostas de descentralização, investimento em tecnologia, melhoria da infraestrutura e ordenamento urbano são cruciais para que a cidade continue a prosperar turisticamente, garantindo que a experiência do visitante seja positiva e que a qualidade de vida do carioca seja preservada. O futuro do turismo na Cidade Maravilhosa dependerá da capacidade de harmonizar a paixão por receber com a sabedoria de planejar e executar, transformando desafios em oportunidades de um desenvolvimento ainda mais robusto e inclusivo.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

