O Tesouro Direto retomou suas operações nesta quarta-feira (18) após o feriado de Carnaval, apresentando um notável recuo nas taxas de juros, particularmente nos títulos atrelados à inflação com prazos mais estendidos. Essa movimentação, que aproxima o juro real longo da menor marca do ano, se desenrolou em um contexto peculiar de valorização do real frente ao dólar, em contraponto à leve ascensão dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. A abertura dos mercados revelou um cenário de alívio para os investidores em dívida pública no Brasil.
Títulos IPCA+: Queda Expressiva e Aproximação da Mínima Anual
O grande destaque da sessão pós-Carnaval foi o comportamento dos papéis indexados à inflação. O Tesouro IPCA+ 2050 registrou uma queda em sua taxa real, ajustando-se de 6,92% na última sexta-feira (13) para 6,86% na tarde de quarta-feira. Esse nível se aproximou perigosamente do piso de 6,84% observado em 2 de fevereiro, indicando um fechamento expressivo na curva de juros real. A tendência de alívio se estendeu por toda a curva longa, com o Tesouro IPCA+ 2040 vendo seu rendimento real ceder de 7,22% para 7,16%, e o IPCA+ 2045 recuando de 7,19% para 7,13%. Mesmo no trecho intermediário, o IPCA+ 2032 acompanhou o movimento, com sua taxa ajustada de 7,58% para 7,52%.
Alívio Também Observado nos Títulos Prefixados
A desvalorização das taxas não se restringiu aos títulos atrelados à inflação. Os investidores que buscaram papéis prefixados também encontraram condições mais favoráveis na reabertura do mercado. O Tesouro Prefixado 2029, por exemplo, teve sua taxa anual reduzida de 12,71% para 12,65%. De forma similar, o Tesouro Prefixado 2032 recuou de 13,35% para 13,28%, enquanto o título com juros semestrais 2037 apresentou uma queda de 13,58% para 13,52%. Esse movimento reforça a percepção de um mercado local mais otimista com as projeções futuras de juros, impactando positivamente a rentabilidade para novas aplicações.
Cenário Macroeconômico: Dólar em Baixa Apesar de Juros Globais em Alta
O fechamento das taxas no mercado de dívida brasileiro se deu em um cenário internacional com nuances distintas. Os rendimentos dos Treasuries americanos, por exemplo, registraram um leve aumento. O juro do título de 10 anos dos EUA subiu 0,027 ponto percentual, atingindo 4,081%, enquanto o de 30 anos avançou 0,02 ponto, para 4,704%. Essa alta nos títulos americanos foi atribuída, em parte, à avaliação de riscos geopolíticos, como uma possível incursão dos Estados Unidos no Irã. Em contrapartida, no mercado de câmbio, o real demonstrou resiliência e ganhou força ante o dólar, que registrava queda de 0,45%, cotado a R$ 5,207. O contrato futuro para março também apresentava recuo, destacando uma divergência entre as dinâmicas de juros globais e o câmbio local.
Fatores Domésticos no Radar dos Investidores
No plano interno, o mercado manteve-se atento a desenvolvimentos específicos que podem influenciar o sentimento dos investidores. Dentre os destaques, a decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e o veto parcial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a reajustes salariais para servidores da Câmara, do Senado e do Tribunal de Contas da União foram pontos de monitoramento. Tais eventos, embora não diretamente ligados às taxas do Tesouro, contribuem para a construção do ambiente de expectativas sobre a economia e a política fiscal brasileiras, influenciando indiretamente o apetite por risco e a precificação de ativos financeiros no país.
A retomada do Tesouro Direto após o Carnaval revelou um mercado doméstico com apetite por um fechamento da curva de juros, impulsionado pela valorização do real e, possivelmente, por expectativas locais que se sobrepuseram às preocupações internacionais com os títulos americanos. A aproximação do Tesouro IPCA+ 2050 da mínima anual sugere um momento de particular interesse para investidores de longo prazo, consolidando a percepção de um alívio nas taxas que pode impactar as estratégias de alocação de capital nos próximos períodos.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

