O cenário político fluminense começa a se movimentar com a declaração do ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que manifestou a intenção de concorrer novamente ao governo do estado nas eleições de 2026. Sem filiação partidária e com um histórico de cassação, Witzel almeja retornar ao Palácio Guanabara, sinalizando uma guinada em sua trajetória política.
O Impeachment e a Defesa de Witzel
A intenção de Witzel em reassumir o comando do Rio de Janeiro vem à tona após sua destituição do cargo em 2021. Eleito em 2018 com o apoio do então presidente Jair Bolsonaro, o ex-governador permaneceu na função até ser cassado sob acusações de corrupção na área da Saúde, em meio à crise da pandemia de COVID-19. Em um vídeo recente, Witzel contestou a decisão, alegando ter sido vítima de um “linchamento público” e afirmando que seu afastamento ocorreu antes de qualquer condenação definitiva, sem que lhe fossem garantidos plenos direitos de defesa. O processo de impeachment culminou em uma votação unânime de dez a zero, que confirmou a perda de seu mandato e consolidou a posse do então governador interino, Cláudio Castro, no cargo que ocupa até hoje.
Nova Filosofia Política e a Busca por Diálogo
Refletindo sobre sua experiência passada, Wilson Witzel declara que sua possível volta à vida pública seria marcada por uma postura “mais experiente e cautelosa”. Ele reconhece uma compreensão aprofundada do funcionamento do poder e das complexidades do sistema do Rio de Janeiro. Ao contrário de sua gestão inicial, quando admitiu querer “mudar tudo rapidamente”, o ex-governador agora enfatiza a necessidade de “diálogo institucional, planejamento e blindagem técnica das decisões” para promover transformações duradouras. Essa nova perspectiva aponta para uma autocrítica e um reposicionamento estratégico, visando um modelo de governança mais colaborativo e estruturado.
Estratégias para 2026: Filiação e Análise Eleitoral
Para viabilizar sua candidatura, Witzel informou que definirá sua filiação a um partido de centro-direita até o dia 4 de abril. Em sua eleição vitoriosa de 2018, quando obteve quase 60% dos votos válidos em um pleito considerado surpreendente, o ex-governador estava vinculado ao extinto Partido Social Cristão (PSC), legenda que, inclusive, foi incorporada pelo Podemos em 2023. Analisando o cenário de 2026, Witzel projeta uma eleição ainda indefinida, mas aponta o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), como um provável candidato mais alinhado à esquerda, em virtude de sua aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele garante que, pelo lado da direita, onde a definição ainda é incerta, sua candidatura por uma legenda de centro-direita será concretizada.
A jornada de Wilson Witzel, marcada por uma ascensão meteórica e uma queda abrupta, agora o projeta para uma busca por redenção política. Seu retorno à arena eleitoral do Rio de Janeiro promete agitar as próximas eleições, apresentando aos eleitores uma figura que se declara transformada pelas lições do passado e determinada a reconquistar a confiança para comandar o estado novamente.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

